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Não é para entender, é para viver

Originário da província indonésia de Bali, o teatro de máscaras conhecido como topeng tem a improvisação, o riso e o estreito contato com o público como traços essenciais. Ao longo do espetáculo, um mesmo ator interpreta personagens diferentes e distintos entre si, utilizando danças e músicas como artifícios. Na noite de domingo, a divertida peça Patuscada trouxe os elementos do topeng para o Inverno Cultural.

Com direção de Mariana Lima Muniz, a montagem é definida como um solo de improvisação com máscaras, em que o ator Rafael Protzner encarna quatro figuras de personalidade forte e marcante. Trabalho recente, Patuscada começou a ser desenvolvida em março e estreou no sábado, 29, no Inverno Cultural. As duas sessões aconteceram na Sala Preta do Campus Tancredo Neves da UFSJ.

Cada vez que Rafael se escondia por trás dos panos, o público era tomado pela curiosidade de descobrir quem surgiria. O primeiro deles era um jovem de língua solta, espalhafatoso, agradavelmente debochado, que se virou para a plateia e declarou: “Aqui não é para entender, é para viver”. Outro, um velho tímido e retraído. Um terceiro falava em inglês, e o último quis compor uma canção.

O público, formado por pessoas de diferentes idades, se esbaldou na peça e se divertiu com seu poder de interferir no rumo de cada personagem. Durante as cenas, Rafael se comunicava com Mariana, que usava um microfone para ditar instruções e até atuar como intérprete. Tudo parecia não ter um plano preestabelecido. Todas as falas, personagens, piadas e danças eram criadas na hora, e não se esperava diferente, já que a proposta era fazer um solo de máscaras e improvisação. Uma atuação fantástica do ator.

Em uma passagem, o personagem faz perguntas para uma espectadora e depois questiona se ela não quer acompanhá-lo pelo “desconhecido”. Todos riem. Noutra, brinca com um espectador nascido na cidade mineira de Formiga. Todos gargalham. A atmosfera é de descontração, de alegria contagiante.

Ao fim da apresentação, a equipe se reuniu e ofereceu um debate com o público a respeito do processo de criação, sobre técnicas de improvisação e outros temas. A programação de Artes Cênicas do Inverno Cultural não poderia ser encerrada de forma melhor. Casa cheia para receber um espetáculo de boa qualidade, interativo, que atraía o espectador com força quase magnética.

Texto: João Vitor Bessa

Edição: Rogério Alvarenga

Foto: Bianca Furtado


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