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Cancioneiro Queer: quebrando paradigmas

Circulando por enredos amorosos e de descoberta homossexual e transgênero, com canções LGBT e feministas do repertório erudito-popular, o espetáculo Cancioneiro Queer encerrou, no domingo, 30, a programação do Teatro Municipal no Inverno Cultural UFSJ. A partir de influências da ópera, do teatro musical brasileiro, de canções da Broadway e Off Broadway, encenadas em formato de cabaret, o musical convida o público à imersão nas temáticas. Voz, piano, contrabaixo, guitarra e bateria fazem parte do espetáculo, que inclui “cenas”, em convincente parceria entre artes cênicas e música.

As canções executadas passavam por referências como o compositor russo Mischa Spoliansky, que compôs os primeiros hinos LGBT dos quais se tem conhecimento; Kurt Weill, que é tido como um dos primeiros compositores a abordar o que chamamos de temática homoerótica, e clássicos brasileiros como “Bárbara” e “Geni e o zepelim”, de Chico Buarque. O cancioneiro reservava espaço também para versões adaptadas e traduzidas de grandes apresentações da Broadway, como “Ela é mulher” (She’s a woman), de “O beijo da Mulher-Aranha”, e “Eu sou o que sou” (I am what I am), da versão de Miguel Falabella para “A gaiola das loucas”.

Thaís Silva, oficial de apoio judicial, estava na plateia e sentiu que a mensagem era, de fato, muito forte e importante. “Queria ter filmado a parte dele falando sobre o respeito no mundo que a gente tá vivendo. Passar isso por meio da música emociona, é muito bonito!”

O diálogo entre as artes possibilita várias alternativas de mensagens, de formação de público, de interlocução, de dialogar com o outro. O cantor e ator Sérgio Anders conta que o mais difícil é a escolha do que fazer e o momento em que fazer no espetáculo. “Esse nosso espetáculo é como uma colcha de retalhos. São vários pedaços que foram juntados de maneira supermaravilhosa pelo Marcelo [Kuna, diretor] para criar um todo”.

Marcelo Kuna, ator, cantor e diretor afirma que o melhor que o musical consegue fazer, tanto com os atores quanto com o público, é levar alegria para ambas as partes “Essa energia com a qual o povo brinca, que bicha não morre, vira purpurina, é um pouco isso, viver com alegria. É um ativismo, uma coisa muito forte ser alegre e conseguir, até na dor, no sofrimento, na militância, levar adiante essa alegria que une pessoas”.

A equipe do espetáculo é composta pelos cantores Marcelo Kuna, Sérgio Anders, Raíssa Brant; pelos artistas convidados Leonardo Mendonza e Clara Borém; pelos músicos Fred Natalino, Fausto Borém, Luísa Martins e Matheus Rodrigues; e, na iluminação, Tainá Rosa.

Texto: Iara Furtado

Edição: Rogério Alvarenga

Foto: Sofia Pacheco

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