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"Fugere urbem"

Do público presente no teatro do campus Santo Antônio, na noite da última sexta-feira, 27, a grande maioria era de moradores da cidade que, ao longo de duas horas, acompanharam com entusiasmo cada uma das canções apresentadas pelo quarteto são-joanense LudiAnjo. Um show das culturas regionais de Minas, do Brasil e ainda da América do Sul, entoadas por ampla sonoridades dos diversos instrumentos que executam os arranjos da banda.



O grupo é coisa de família, já que Luis Alcemo (voz, violão, viola e charango) é marido de Dineá Moreira (voz) e tio de André Vitor (Flauta e percussão) e de Joaquim Pedro (violão e viola). As sílabas iniciais de seus quatro nomes formam a alcunha do quarteto. Com um repertório formado por canções que têm em comum o caráter bucólico, passeiam pelo cancioneiro popular e folclórico de Minas Gerais e de outros estados, além de quatro cantigas do folclore sul-americano que ficaram conhecidas no Brasil por meio do grupo Tarancón, que surgiu há 40 anos com proposta semelhante à do LudiAnjo.

A variedade de instrumentos presentes no palco amplia a gama de sonoridades que podem ser exploradas durante a apresentação. Há o violão tradicional – de cordas de náilon –, o violão de sete cordas, a viola, a flauta e a zabumba. Instrumentos de sopro que emulam o chilro de pássaros dão um toque especial à paisagem sonora. São canções que remetem ao campo, à roça e suas cachoeiras, ou às pequenas cidades e sua cultura religiosa e culinária.

O público até se manteve mais tímido no início do recital, talvez efeito da postura um tanto introspectiva da banda sobre o palco naquele momento, o que curiosamente contrasta com a música alegre e vívida. Pelo menos é o que acontece até o momento de “Espelho Cristalino”, grande sucesso de Alceu Valença. Dali em diante, a relação público-banda se modifica. Principalmente durante a sequência de cantigas andinas e sul-americanas, como “Soy libre y soy bueno” (de Atahualpa Yupanqui) e “Canción y huano” (Orlando Rojas e Mauro Nuñez).

“Tocamos músicas do sul, do nordeste, do Mato Grosso e dos pampas. Agora voltamos para Minas Gerais. É muito gostoso o som da nossa terra”, diz Luis Ancelmo antes de convidar ao palco o Coral Unimed, que participa dos momentos finais da apresentação. Juntos, cantam “Pátria Minas” (Marcus Viana) e “Zabelê”, hinos alternativos de Minas Gerais.

Encerram a apresentação com “Coração Civil”, de Milton Nascimento. “A gente preparou esse encontro musical com alma de criança”, explica Luis, que completa: “Queremos passar uma mensagem de esperança. Esperança num país e numa cidade melhor”. E caem nas graças do público, que aplaude de pé e pede bis.

 

Texto: João Vitor Bessa
Edição: Rogério Alvarenga
Foto: LudiAnjo, 30° Inverno Cultural UFSJ. Crédito: Thais Andressa
Publicado em: 1° de agosto de 2018


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