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Pigmalião joga com a catarse e encerra peças do Inverno

Fechando as atrações da Sala Preta no 31° Inverno Cultural UFSJ, o coletivo belo-horizontino Pigmalião Escultura que Mexe apresentou o espetáculo O Quadro de Todos Juntos. A peça, voltada para o público adulto, mescla o teatro de bonecos com os atores em cena e se inspira na loucura para falar de estereótipos e complexos familiares.

O palco é ocupado por uma grande família de porcos/humanos. Os bonecos dos porcos são manipulados com técnicas variadas: de marionetes de fio, a maior parte, mas também "habitados' pelos atores, que impressionam com as máscaras de focinhos. Além da estética, o espetáculo surpreende pela excelência na competência técnica e interpretação, toda guiada por uma trilha sonora instigante.

O espetáculo não tem falas, o que requer a interpretação do espectador, que precisa, por si próprio, criar (ou lembrar) relações para o que vê. Os manipuladores, geralmente, não são percebidos no palco. Por isso tudo, atores e público precisam mergulhar juntos no imaginário ao longo da peça, requisito essencial para o teatro de bonecos. “É um acordo subjetivo com o público: ele não vai ver os manipuladores e, mesmo consciente de como o espetáculo é feito, se esforçará para entrar na história”, pontua Eduardo Felix, autor, codiretor e ator da peça. A luz baixa e a trilha sonora criam armadilhas e tornam tudo um jogo de sensações, emoldurando a densidade das histórias.

A montagem descortina as relações entre pais, filhos, irmãos e avós, de núcleos familiares diferentes entre si. A história feminina parece ser um guia para as narrativas e abre feridas invisibilizadas (ou propositadamente ignoradas?), passando pelo machismo, depressão pós-parto, abuso sexual e a competição, muitas vezes velada, entre mãe e filha. “No meio dessas paranoias, algum personagem vai servir de espelho”, comenta Eduardo. O público se vê envolvido pela doçura e perversidade dos bonecos, e a movimentação extremamente precisa lhes empresta um sentido de humanização.

Geisla Nascimento, atriz de São João del-Rei, considera impressionante que o grupo consiga combinar a trilha sonora marcada com os movimentos em palco: “Achei muito interessante. É um trabalho estético e um trabalho de cena incríveis e que torna todo o espetáculo impecável.”

Seis anos em cartaz

Tanto os bonecos quanto as máscaras são feitos de fibra de vidro e couro e confeccionados pelo próprio grupo, muitos deles artistas provenientes das artes plásticas. Mesmo com um trabalho independente, o coletivo já conseguiu levar o espetáculo para mais de 20 estados, além de países no exterior, e, com a apresentação no Inverno Cultural, encerra mais uma temporada de shows. São seis anos em cartaz com O Quadro em 12 anos de Pigmalião.

 

Texto: Jordana Nery

Edição: Rogério Alvarenga

Revisão: Joana Fhiladelfio

Foto: Thais Andressa


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