Notícias

Raízes da Terra - uma história de resistência

Na tarde do sábado, dia 27 de julho, dona Vicentina Neves recebeu o público do 31º Inverno Cultural, no Fortim dos Emboabas, para uma contação de histórias sobre o Grupo de Inculturação Afrodescendente Raízes da Terra. “Para todo mundo entrosar nosso axé” foi o convite feito ao público que compareceu à roda de Maracatu.

Ao som de “Todos os negros no encontro querem entrar. Todos os brancos no encontro querem entrar. Todos os índios no encontro querem entrar.” Todos receberam uma purificação e dançaram com o grupo. Depois da dança e de alinhar o público com boas energias, as pessoas se sentaram em círculo para um bate-papo com dona Vicentina, uma das fundadoras do Raízes da Terra.

Em um Brasil onde é preciso resistir diariamente, dona Vicentina deu uma aula de persistência. Contou sobre as dificuldades para manter o grupo, a discriminação ainda vivida pela população negra e como a universidade foi fundamental para o crescimento do Raízes. “Valorizo muito a UFSJ, os jovens e os professores que nos abriram a porta de um espaço em que nunca pensamos entrar”, contou. Dona Vicentina ainda comentou o crescimento do Raízes a partir dos conhecimentos sobre a luta dos negros de outros lugares. “A gente já conheceu pessoas de diversas nacionalidades, além dos meninos que tiveram coragem de cursar o ensino superior e, agora, estão na luta”.

Para ela, a universidade é uma mãe. “Atualmente, as pessoas condenam, mas defendo e só tenho a agradecer a troca de conhecimento.” Dona Vicentina ainda completou que tudo que vem do negro é visto como ruim, mas que, na universidade, eles conseguem espaço para falar e mostrar que são pessoas civilizadas. “A história é contada e recontada, mas a dor é retirada. Nosso livro de história são as pessoas vivas. Temos que falar, para mostrar o quanto já caminhamos e o tanto que ainda temos que caminhar.”

África ao Brasil através do Beat

Logo após a contação de histórias, a DJ Jenni realizou uma performance com discotecagem, que através do som e da imagem, explorou os ritmos oriundos da África e os ritmos brasileiros que surgiram da dispersão da população afrodescendente.

Além de explorar os ritmos como o afropop, afrobeat, maracatu, coco, jongo, samba e funk, a produtora também falou sobre a produção de festas e festivais dedicados à arte negra no Brasil. “Busco dar enfoque à cultura negra local, porque, conhecendo a população, a gente sente a necessidade de dar visibilidade para arte”, contou.

Para Maria Tereza, que participou da contação de história e da performance, este é um evento da cultura negra, dentro da UFSJ, o que mostra a importância de iniciativas como esta para mostrar a opressão vivida pelo negro, mesmo na universidade”.

 

Texto: Joyce Stampini

Edição: Suelen Moura

Revisão: Joana Fhiladelfio

Foto: Carol Rodrigues


Universidade Federal de São João del-Rei
Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários
1988-2019 © Todos os direitos reservados