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A canção visceral do duo Aduar

Gabriel Guedes e Thobias Jacó se conheceram na UFSJ. O primeiro contato entre os dois se deu durante as provas práticas para ingresso na Licenciatura em Música em 2017. Tornaram-se amigos e parceiros musicais, passando a tocar e compor juntos o repertório que daria vida ao duo Aduar. Neste ano, lançaram seu primeiro álbum, “Piracema”, que apresentaram durante o Inverno Cultural, no Conservatório Pe. José Maria Xavier.

A musicalidade do Aduar remete à canção sertaneja, interiorana. Gabriel, 25, toca o violão de nylon e seis cordas; Thobias, 28, usa a viola caipira de 10 cordas. Apresentam um repertório que reúne 22 canções, autorais e interpretações de obras conhecidas, como “Romaria”, de Renato Teixeira. O público se encanta pela dupla e se diverte com as piadas que contam entre as canção.

Desde que formaram a parceria, tiveram a oportunidade de pegar a estrada e rodar pelo estado de Minas Gerais e também pelo Brasil. “Tem sido muito interessante a forma com que o público tem recebido a gente por onde temos passado”, conta Gabriel, mineiro de Passa Quatro.

Pôr a viola no saco e rodar pelas estradas do país tem sido uma oportunidade para não apenas divulgar seu trabalho, mas para conhecer artistas independentes que atuam em outras cidades e regiões. Entre eles, Lucas Madi, que conheceram em Ponta Grossa e convidaram para uma participação especial na apresentação do Inverno Cultural.

Crise global

A proposta artística está sintetizada no próprio nome do grupo. Aduar é um verbo, que no dicionário significa “a partilha de água para irrigações dos campos, entre lavradores vizinhos; acampamento temporário de povos primitivos; formar duo”. A música deles trata da natureza, dos rios, matas e animais silvestres, mas também pauta os problemas ambientais, como o crime ambiental que atingiu as cidades de Mariana e Brumadinho.

“O maior problema que enfrentaremos serão a crise do clima e a impossibilidade de se existir vida na atmosfera da terra”, justifica Thobias Jacó, que nasceu em Posto da Mata-BA. Para ele, a canção tem a capacidade de embelezar coisas terríveis e levar o público à reflexão. O duo define como visceral a sua obra, o que está relacionado à intenção de se aprofundar, fincar os pés no chão e compreender as entranhas da música de raíz.

Uma das canções do álbum deles leva o nome da indígena Tuíra Kayapó, a mulher que se tornou famosa quando foi fotografada apontando a lâmina de seu facão contra o rosto do então diretor da Eletronorte. O caso se deu em fevereiro de 1989, em Altamira (PA), região onde seria construída posteriormente a usina hidrelétrica de Belo Monte.

Extensão

Quando eles se conheceram, durante as provas específicas para o curso de música, Gabriel queria trocar a ênfase de sua graduação, da Educação musical para o Violão. Já Thobias, que vinha de outra área, começou na Educação musical e posteriormente mudou para o Cantor Popular. A partir dali, começaram a tocar juntos.

A gravação de “Piracema” foi feita no estúdio da universidade, com incentivo do Projeto de Extensão Som das Vertentes, do Departamento de Música, ainda em 2017. Contaram com a participação do músico e produtor Leonardo Avellar, que fez a captação e mixagem das canções.

Para Thobias, o investimento da Universidade em extensão os deixa feliz. Se não fosse pelo Som das Vertentes, eles e muitos outros artistas talvez não tivessem a oportunidade de gravar o CD . Além disso, tocar no Inverno Cultural é uma oportunidade de ouro. “A universidade transformou e transforma diariamente as nossas vidas. Estamos nessa luta pela universidade pública”, conclui Gabriel.

 

Texto: João Vitor Bessa

Edição: Mauro Lovatto

Revisão: Adalberto Nunes

Imagem: Thais Andressa


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