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Auto da Barca do Inferno é um clássico da literatura portuguesa que atravessa gerações. A história escrita por Gil Vicente, no século XVI, é tão marcante que foi capaz de sair das páginas dos livros, subir aos palcos, ganhar as telas dos cinemas e diversas adaptações em diferentes meios. Mas o que distingue a apresentação desse espetáculo no 28º Inverno Cultural de outros já encenados? O fato de todos os atores que encarnaram as personagens consagradas da história serem alunos do Programa Universidade na Terceira Idade.

A primeira noite do 28º Inverno Cultural em São João del Rei foi de emoção e deslumbramento para o público que compareceu à Igreja do Carmo. O Quarteto de Cordas da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, juntamente com o clarinetista e professor da UFSJ Iura de Rezende, apresentaram o Concerto Weber e Brahms, um amálgama dos sons do clarinete com as cordas românticas de Johannes Brahms, um dos maiores músicos de todos os tempos.

Com o Teatro Municipal lotado, o show começou. Um a um, os integrantes da banda foram entrando e assumindo seus lugares no palco já tocando seus instrumentos. Primeiro a baixista, depois o baterista, e assim por diante, até chegar o trio que marcou a noite com músicas do artista Chico Buarque. As intérpretes de vozes marcantes Ana Dias, Valéria Braga e Juliana Mota – que também dirige o espetáculo – embalaram a noite com quase 20 músicas do cantor.

De onde vem o samba? Da mesma casa onde nasceu o riso, o batuque, o ritmo, onde os pés se cansaram da estática… Filho bastardo do Brasil, malvisto na época de seu nascimento na Bahia do século XIX, veio a se consolidar no Rio de Janeiro na década de 20. Em meados dos anos 1940, passa a ser considerado símbolo nacional. Nada mais coerente, pois essa música alegre sintoniza perfeitamente com um povo que sente todas as dores de sorriso na cara. Como um vírus benéfico e multicor, quando toca contagia a todos com o fervor dos batuques.

A programação do 28º Inverno Cultural UFSJ em Sete Lagoas começou na sexta-feira, 17 de julho, e uniu a tradição musical brasileira à nova música experimentada por jovens e tarimbados artistas. A experiência ganhou o palco na quarta, 22, com os anos de carreira de Sérgio Reis e Renato Teixeira, juntos no show Amizade Sincera, projeto que desenvolvem desde 2010.

O 28º Inverno Cultural UFSJ chegou a Conselheiro Lafaiete trazendo toda a melodia do samba de raiz. Para fechar o primeiro dia do festival na cidade, o grupo Corda e Caçamba, de São João Del-Rei, não deixou o público parado com os batuques do ritmo que é a cara do Brasil.

Engana-se quem acredita que poesia é feita só de letra e palavra. Ela pode ser concreta. Na COLETIV4: arte e poesia visual, Carlos Barroso, Jairo Fará, Marcelo Dolabela e Mário Alex Rosa, poetas e artistas mineiros, reuniram-se para mostrar o elemento poético contido nas coisas. “A poesia visual trabalha a poesia de forma estendida, ou seja, dialoga com as outras artes, como as artes plásticas, a fotografia, o cinema e a música”, explica Jairo Fará. Nessa modalidade, a forma clássica sai de seu suporte tradicional e se utiliza de diversos instrumentos. Além disso, a própria poesia vira objeto, não somente os poemas, mas também os livros.

O tradicional Cortejo de Abertura do Inverno Cultural percorreu as ruas de São João del-Rei no sábado, 18 de julho, com o intuito de preparar a cidade para um mergulho na arte e na cultura, com muita alegria, proporcionando um encontro entre as pessoas e apresentações do festival. Fizeram parte do cortejo diferentes expressões artísticas, com destaque para o Coletivo Café com Birutas, Instalação Cênica do Ateliê Titetê, Raízes da Terra e Palhaço Maizena.

“Pensar melhor sobre a maneira como nos relacionamos”. Esse foi o objetivo da exposição “Liquidificador”, do artista Marlon de Paula. Aluno do curso de Jornalismo da UFSJ, Marlon expôs pela segunda vez no Inverno Cultural.

Aerotedicida: remédio antindutor de tédio, feito para acabar com momentos enfadonhos, que consiste em pílulas de plástico-bolha. Sacroaqua: detergente à base de água-benta para desinfetar a alma dos pecados. Esses e outros produtos puderam ser conferidos na exposição PIB – Produto Interno Bruto, do artista plástico Lucas Carvalho.

Formada em Caxambu há cerca de dez anos, a banda Cifras no Varal hoje está em São João del-Rei, município que ostenta um rico histórico de produção musical. Ao longo dos anos, a cidade dos sinos serviu de morada e inspiração para um sem-número de artistas, desde compositores barrocos a rappers, passando por sambistas e bandas de heavy metal. Na edição deste ano, o Inverno Cultural destaca, com todos os méritos, a produção artística local.


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