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Ave, Inverno!

Inverno Cultural é prenúncios. Aleatoriamente, nomeio um: o reforço de vocações, caso da cultura como marca identitária desta cidade chamada São João del-Rei, onde nasceu uma Universidade Federal que chama e coloca arte e cultura em roda e cortejo, para viver dias de pura celebração, desbravando rotas. Ocupe Periferia!

Tanta cor e música, violino, sino e repique, que a plateia segue a moça que dança, os pés no chão, alados nas pedras escravocratas, porque ela sabe: as raízes vêm da terra. O tambor retumba no coração e, inesperadamente, uma vontade de lágrimas, lamento pelo que se foi e não será trazido de volta. Voltará reencarnado no alto do Senhor dos Montes, num “museu que não tem fim”, que deixou muito inspirado um “minerim” que fez “um monte de objeto e montei meu Fiotim.” Voltará na virada dos tambores batendo a alegria do jogo, o som do jongo, o martírio do jugo – ecos que tomam o Largo do Carmo, profundo como útero fecundo. Valei-nos, Nossa Senhora do Carmo!

Os poetas anunciam: nas páginas vagas estão as ideias. O poeta sentado, o poeta musicado, o poeta parangolé clamando “Torquato Neto para Presidente!” Nada é suave nas peças que mostram nossas fragilidades contemporâneas, estejam elas assentadas no Theatro Municipal de São João del-Rei ou perambulando por bosques e salas pretas. Flauta e violão, sintetizador e sanfona, “lua e bridão”, nos devolvem a serenidade revolvida das toxinas de nossa multiculturalidade. Os shows são espetáculos na Praça do Matosinhos. Respeita, Januário!

Vocalizar a resistência, sensibilizar o invisível, difundir a lição: “não é para entender, é para viver”. Simplesmente assim. O lirismo em facas, o afeto em farpas, a suíte sonora do Amapá, o Berimbrown singrando a última noite do festival, cenários para evocações. No 129º Inverno Cultural UFSJ, quando eu tiver 146 anos, os eventos tomarão as cidades como em dia de jogos decisivos, aquela sensação inigualável de irmandade, arte & cultura formarão a cadeia recém-mapeada do DNA humano, e julho será puro e irresistível ímpeto. Nossa Senhora das Carícias Celestiais estará entre nós e, juntos, diremos AME! antes e depois de AMÉM!

Texto: Cibele de MoraesSS

Imagem: Camilo Lucas (Jararaca Alegre)


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