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Odara Dandara traz contos africanos ao Inverno

No pátio do Fortim dos Emboabas, em uma ensolarada manhã de domingo, a contação de histórias A Encantadora Odara Dandara animou o dia das crianças e pais ali presentes. A professora e contadora de histórias Vanda Ferreira trouxe contos africanos e afro-brasileiros narrados através da personagem por ela interpretada, Odara Dandara.

De bata roxa e turbante amarelo, com brincos, pulseiras e colares enormes, Vanda Ferreira encarna a personagem Odara Dandara para contar fábulas de origem africana. Assim como nos contos brasileiros, cada animal transmite um valor e há sempre um ensinamento ao fim. As múltiplas vozes emitidas por Vanda deixavam tudo mais dinâmico, e a reprodução dos sons dos animais são engraçados e imprevisíveis, chegando a assustar e divertir os ouvintes.

Vanda conta histórias há quase 20 anos. Para fazer a Odara Dandara e enriquecer seu repertório de contos africanos, ela se especializou em "Literatura e cultura afro-brasileira", na Universidade Federal de Juiz de Fora. Vanda também é professora em uma escola municipal em Juiz de Fora e avalia a importância do seu trabalho: "Os contos africanos e afro-brasileiros são importantíssimos nas escolas públicas porque 90% das nossas crianças são negras. Essas crianças têm que se ver para ter uma visão diferenciada do mundo", explica.

A professora são-joanense Carolina Brasil Rehfeld também considera essencial que as crianças conheçam mais a fundo a cultura africana. Carolina trouxe seus alunos de Ensino Fundamental para a contação, a fim de complementar sua aula sobre o continente africano. "As programações culturais da cidade são extremamente importantes, trazem uma riqueza muito valiosa pra gente. Então não podemos perder, temos que vir prestigiar", destaca a professora são-joanense.

Olho no olho

Com suas contações de história, Vanda dissemina a cultura africana e ainda ensina a abraçar o que é diverso e plural. Vanda sempre diz aos seus alunos para respeitar todas as religiões e pessoas. "A gente não vive sozinho, a gente não constrói o mundo sozinho. Tem um provérbio moçambicano que diz assim: 'Se você quer ir depressa, vá sozinho; se você quer ir longe, vá acompanhado'", completa.

Ao encerrar a apresentação, a contadora gostou do resultado e do público que pôde atingir. "O contador é olho no olho. Ele busca o olhar. Essa é principal diferença para o teatro. E tinha pessoas de todas as idades, crianças , adultos e adolescentes. Isso me recarregou", finaliza.

 

Texto: Cleo Moraes

Edição: Mauro Lovatto

Revisão:Joana Fhiladelfio

Foto: Henrique Otávio


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